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Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do Joões, em seu plural consagrado, João Guilherme e João Rafael, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe de jornal impresso, em Presidente Prudente.

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A síndrome mão-pé-boca chegou aqui. Já ouviu falar?

Doença ocorre nas crianças com menos de 5 anos, mas pode acometer adultos, que são transmissores assintomáticos

23 de Julho de 2018
2 comentários

Que loucura! Ainda não tínhamos lidado com nada tão invasivo na saúde dos nossos filhos. Nos últimos dias, um quadro consecutivo de febre, falta de apetite, seguido do aparecimento de pontos avermelhados e pequenas erupções no queixo do João Rafael – 1 ano e 3 meses - nos tirou o sossego. Foram três visitas ao hospital pediátrico, conforme os sintomas avançavam, até o diagnóstico da síndrome mão-pé-boca.

Foto: Arquivo Pessoal

O cenário inicial era de uma possível infecção de garganta, por conta da aparência avermelhada da cavidade oral, o mal-estar e a recusa de alimentos. Após o aparecimento das primeiras manchas, roséola, catapora, escarlatina ou qualquer outra doença viral também foram cogitadas pelos pediatras do pronto-atendimento.

pé mão bocaNo terceiro dia de sintomas, a mão-pé-boca foi confirmada. Foi o mais tenso, tamanha coceira que sentiu nas pernas e braços e “choro de desespero”. Um antialérgico amenizou os sintomas. Desde o primeiro dia, também fizemos uso os antitérmicos para baixar a febre e aliviar possíveis dores das úlceras, que são dolorosas (semelhantes às aftas).  Essas ulcerações surgem habitualmente na língua, e nas partes internas dos lábios e bochechas. O palato (céu da boca) também pode ser afetado, o que não ocorreu com ele.

Foram dois dias sem se alimentar, somente com leite e água. Até o quinto dia, além da face, as manchas e bolhas se alastraram pelos membros superiores e inferiores e nádegas. Já não havia mais coceira, mas o incômodo, sobretudo na hora das trocas e banho. Os pés e mãos tiveram alta concentração de erupções. Não havia lesões apenas no tronco – frente e verso. Hoje, data em que escrevo – sexto dia – 90% das feridas secaram, ele já se alimenta normalmente e está disposto.

Onde ele pegou o vírus? Não fazemos ideia. Não tínhamos visto nenhum caso parecido no ambiente de convívio. Sabemos que há casos na cidade – Presidente Prudente (SP). Pode ter sido em qualquer lugar por aí, ou até mesmo por meio de qualquer adulto que tenha tido contato.

A síndrome ocorre frequentemente nas crianças com menos de 5 anos, mas pode, eventualmente, acometer adultos, que não desenvolvem sintomas e podem ser transmissores assintomáticos. Ainda não há vacina para a doença e quem teve uma vez pode ser vítima novamente, já que há vários sorotipos deste vírus e a imunidade que se adquiriu para um deles não necessariamente servirá para outro.

O que é?

Segundo informações do Ministério da Saúde, a síndrome mão-pé-boca é, na maioria dos casos, uma doença branda e benigna, que desaparece espontaneamente após alguns dias sem causar nenhum tipo de complicação. O maior problema costuma ser o risco de desidratação, pois a dor de garganta pode fazer com que a criança pare de aceitar alimentos e líquidos. O período de incubação costuma ser de 3 a 6 dias e a cura em até 10 dias. Nem todas as pessoas contaminadas pelo vírus desenvolvem o quadro clínico completo. 25% têm apenas lesões na boca ou na pele.

A síndrome é uma infecção viral contagiosa, provocada habitualmente, mas não somente, pelo Coxsackievirus A16. Casos da SMPB também podem ser provocados por outros sorotipos do Coxsackie, tais como o Coxsackievirus A2, A4 ao A10, B2, B3 ou B5. Outros vírus, como o Echovirus 1, 4, 7 ou 19 ou o Enterovirus A71 também podem causar a mesma síndrome, com sinais e sintomas muito semelhantes.

O quadro clínico costuma ser autolimitado e de curta duração em todos os sorotipos, mas a síndrome mão-pé-boca provocada pelo Enterovirus A71 pode ser mais perigosa, pois pode complicar com casos de encefalite, meningite ou miocardite (inflamação do músculo cardíaco).

Como se transmite?
pé mão boca

Os vírus que causam a doença mão-pé-boca podem ser transmitidos por contato com secreções das vias respiratórias, secreções das feridas das mãos ou dos pés e pelo contato com fezes dos pacientes infectados. Isso significa que o Coxsackie (e os outros vírus causadores) podem ser transmitidos nas seguintes situações:

Beijar alguém infectado.

Ter contato com secreções respiratórias, geralmente através da tosse ou espirro.

Beber água contaminada.

Apertar a mão de alguém contaminado.

Ingerir alimentos preparados por alguém infectado, que não tenha feito a higienização adequada das mãos.

Contato com brinquedos ou objetos que possam ter sido contaminados por mãos sujas.

Contato com roupas contaminadas.

Trocar fraldas de crianças contaminadas.

Geralmente, a fase de maior contágio da síndrome mão-pé-boca é durante a primeira semana de doença. Porém, mesmo após a cura, o paciente pode permanecer eliminando o vírus nas fezes, o que o mantém contagioso durante dias ou até semanas depois dos sintomas terem desaparecidos.

Fonte: Ministério da Saúde

ATENÇÃO: Em casos de suspeita, não medique a criança e procure orientação médica para o diagnóstico correto.

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MAIS 2 COMENTÁRIOS

Luciana

26 de Julho de 2018

Muito boa a matéria, já ouvi falar dessa doença, mas nunca tinha visto. Miguel teve impetigo quando bebe, é bem parecido mas o dele foi bem fraquinho

Regina Dias

23 de Julho de 2018

Aqui ainda bem que nenhuma das duas tiveram, mas minhas sobrinhas tiveram e pude ver um pouco do sofrimento. Espero que ele fique logo bom

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