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Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do Joões, em seu plural consagrado, João Guilherme e João Rafael, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe de jornal impresso, em Presidente Prudente.

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Criança fantasia ou mente?

Linha que separa o imaginário da realidade é tênue para a criança, portanto orientá-la é primordial

08 de Maio de 2017
14 comentários

Era início do ano letivo de 2016. O bilhete no caderno escolar convocando a mãe para ir à escola denotava que algo poderia não estar bem com o pequeno de 3 anos. Na impossibilidade da figura materna seguir à unidade escolar, fui eu, o pai. Na sala, com a professora, a portas fechadas, um relatório entregue em minhas mãos descrevia que meu filho estava mais agressivo que o comum, queria brincar de “lutinha” com os colegas e chegou a bater em uma amiguinha na sala de aula. Quando questionado e repreendido, ele disse à educadora que agiu assim porque o papai batia na mamãe. Ah, meu mundo caiu.

Arte: Arquivo Pessoal

Me senti o “cara da raquete”, o personagem Marcos, de Dan Stulbach, que agredia Raquel (Helena Ranaldi), na novela “Mulheres Apaixonadas”, com o instrumento de tênis. E se, “criança não mente”, como provar que ele jamais tinha presenciado qualquer cena de agressão doméstica, seja física ou psicológica? Era a minha palavra contra a dele. Contestei, voltei para casa, chorei, tentei entender aquele atropelo emocional.

Com o auxílio da mamãe, conversamos muito com o pequeno, questionamos, esclarecemos os riscos. Com o passar dos dias, compreendi a importância da escola na vida do meu filho, o quanto esta atenção é primordial para sua saúde física e emocional. Com o botão start apertado, busquei olhar com mais cautela para fatores que pudessem aflorar esta fantasia no pequeno.

Na tela do celular, em um vídeo no Youtube, mesmo com controle parental ativo, o super-herói favorito da Marvel Comics, Spiderman, iniciava uma de suas cenas típicas, lançando teia pelos prédios, e ao se deparar com Elsa, de Frozen (famosa animação da Disney), travava uma batalha corporal. Na sequência dos vídeos, estes ídolos de gerações lutavam entre si de forma violenta. Na TV, mesmo nos desenhos infantis, as cenas de luta eram uma constante. E que menino não tem nas veias esta pujança pelos filmes de ação?

E por mais que tivéssemos toda cautela para que ele assistisse programações voltadas a sua faixa etária, houve descuido. E num instante de vacilo, eles mergulham na fantasia, entre o real e o imaginário. A partir de então, percebemos sua capacidade incrível de criar situações, personagens... E de lá para cá, são muitas histórias...

A linha que separa a fantasia da realidade pode ser muito tênue para a criança. Orientá-la é primordial para que navegue com segurança por ambos os mundos. Conhecer a diferença entre as fábulas e mentiras e reconhecê-las nos pequenos permitirá aos pais o trabalho educativo para que a criatividade imaginária seja explorada de forma positiva e a declaração falsa coibida, já que ela traz consequências que podem ser prejudiciais à criança e a outras pessoas envolvidas.

Quem não se lembra do famoso caso da Escola Base? Ele é ainda explorado nas faculdades de Jornalismo, na qual proprietários, uma professora e seu marido foram acusados injustamente de abuso sexual infantil e a ocorrência foi assustadoramente explorada pela mídia, com deficiências de apuração e propagação de suposições e inverdades. A unidade escolar fechou as portas e os reflexos causados na vida humana foram irreversíveis.

Toda cautela é pouca! Não minta para uma criança, mesmo que seja uma “mentirinha boba”. Ela tende a reproduzir o exemplo de casa e terá dificuldades de discernir o que pode e não fazer. Ter consciência de que os pequenos alteram a realidade com suas fantasias e ensiná-los a valorizar a verdade, ajudará na formação de seu caráter e conduta moral. Quanto às boas fantasias, aproveite para explorá-las, brincar, criar personagens, ler muitos livros e encenar os retratos da literatura e da vida real... Sem fórmula pronta, seguimos na arte de educar para transformar.

* Os textos só podem ser reproduzidos mediante autorização do autor e desde que citada a fonte

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MAIS 14 COMENTÁRIOS

Mariana

16 de Maio de 2017

Primeiramente excelente post Leandro, parabéns. Bom meu filho via muito YouTube sim deixava ele todos os dias 1horinha vendo o celular para fazer meus afazeres de casa. Até que peguei ele vendo um desenho da Peppa com muito sangue, corte de cabeça , uma coisa horrível. E nisso ele começou a falar para todo mundo que via a mamãe cheia de sangue pela casa. Uma situação muito complicada. Após muita conversa foi que entendeu sobre a mentira e a fantasia. Hoje ele não fica no celular e o tempo que temos livres vamos ler um bom livro ou brincar. Foi um ótimo aprendizado para ele e para eu como mãe. Abraços Mari Blog vamos mamães

Leandro

11 de Maio de 2017

Uau que história Xará, que texto inspirador, educativo e importante. parabéns!!!!

Leandro Nigre

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Grato pela sua avaliação, meu xará. Seja sempre bem-vindo.

Bruno Santiago

11 de Maio de 2017

Ótima observação! Aqui em casa o Samuca tem acesso ao tablet em momentos pontuais. Uma vez, percebi ... melhor escutei ... uma musiquinha infantil. Pensei... que desenho é esse? Quando fui ver ... o desenho era uma montagem com 6 homens-aranhas jogando carros do alto do prédio... brigando. Que absurdo! Depois ele passou a filtrar, após comversarmos. Tem hora que o retorno da escola dói. Mas, precisamos respirar e acolher a informação. Avaliar de peito aberto. Parabéns!

Leandro Nigre

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Isso aí, Bruno. Vigília a todo instante. Basta uma brecha. O feedback escolar é indispensável, pois é o espaço onde nossos pequenos estão aprendendo a viver em comunidade, em contato com os mais diferentes tipos de comportamentos.

Nicácio Belfort

10 de Maio de 2017

Que situação, não saberia como agiria, essa última parte do seu texto é bem pertinente, a mentira é sempre algo que o final é sempre complicado. Ótimo post, parabéns!!!

Leandro Nigre

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Sempre delicado e precisa ser trabalhado desde cedo. Obrigado pela visita, Nica.

Marcone

10 de Maio de 2017

Me chamo Marcone, sou pai de 2 meninas Iara de 3anos e Liz de 2anos, sou separado das Mães, mas sempre procurei estar presente na vida de minhas pequenas e por necessidade precisei de um processo judicial para estar presente na vida de minha filha mais Velha (Iara), Há alguns meses atrás passei por uma situação muito que semelhante. Era uma Quinta feira, dia da semana que passamos apenas a tarde juntos e depois levo para dormir com sua Mãe, passamos nossa tarde como de costume quando em um determinado momento minha filha começou reclamar de dores no braço e pelo comportamento dela realmente aparentava sentir dor, pensei em levar ao médico mas em outra situação ela sentiu essas mesmas dores e quando levei ao médico ela parou de reclamar e já saiu do hospital brincando, então aguardei dessa vez para ver a necessidade, só que a surpresa veio mais tarde depois que deixei na casa da mãe e expliquei que ela reclamava de dores, o meu susto veio quando cheguei em casa quando recebi algumas mensagens de áudio onde ela afirmava que eu tinha a machucado, que ela queria ficar com a mãe e eu não deixei e por isso puxei o braço com força, que eu estava louco, E aii meus Caros, veio o meu desespero porque não era a Mãe que estava me falando isso, era justamente minha pequena inventando todas essas histórias e de repente pensei comigo mesmo o que eu poderia fazer pois da forma que ela contou eu poderia acreditar também e causar problemas, como tinha consciência do que tinha acontecido não me preocupei em momento algum com o que a mãe dela iria pensar ou fazer com aqueles áudios, a minha preocupação era de que forma proceder nessa situação para que não vinhesse acontecer novamente então fui me orientar com quem tinha conhecimento de causa, com quem vivia com ela, procurei a escola pra saber também e dai precisei mudar algumas formas de falar com ela pois nessa idade ainda não tem conhecimento da verdade ou mentira é tudo fantasia e é justamente onde entramos nessa orientação para que nossas crianças não alimente essas fantasias como verdade pois em um dos áudios a mãe não pergunta e sim afirmava e a criança no final confirmava a afirmação da mãe tipo ( FOI PAPAI QUE TE MACHUCOU FOI) hoje mais do que antes tomo bastante cuidado ao conversar com ela e quando está errada eu afirmo que ela está errada e não pergunto se aquilo é certo ou não e peço sempre pra me olhar nos olhos quando conversamos.

Leandro Nigre

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Uau, que relato Marcone. Que bom que tudo se encaminhou para identificação da realidade e orientação da pequena. É isso aí, deixá-los conscientes das consequências é essencial. Ao mesmo tempo, estreitar a confiança para que a criança cresça valorizando-na. Seja sempre bem-vindo por aqui.

Michele Gobbato

10 de Maio de 2017

Caramba que situação, educar realmente não é uma lição fácil, e temos que ter cuidado com tudo, nos atos e nas palavras. Também sou contra a "mentirinhas bobas" pra mim mentira seja pequena ou não é mentira Michele Gobbato

Leandro Nigre

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Exige dedicação, não é mesmo Michele? Somos exemplos em tudo que fazemos. E como cobrar a verdade de uma criança, por exemplo, que é ensinada a atender ao telefone e ao interfone e falar que a mãe não está em casa quando ela está bem à sua frente? Nossos pequenos precisam de diálogo e exemplos!

MARCOS ROMEU

10 de Maio de 2017

Que bela abordagem! Sempre costumo observar as ações da Tarsila! Desenhos que refletem muito em seu dia dia, costumam ser eliminados. Uma vez, ela me contou que o tio Lucas "bateu" sentei com ela e de forma lúdica perguntei como foi e ela começou a mostrar que realmente prestava atenção nas aulas de karatê.

Leandro Nigre

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É exatamente isso, Romeu, se policiar a todo instante e buscar interpretar de onde partiu o comunicado. Não queremos inibí-los a nos contar os fatos, muito pelo contrário, mas ter discernimento sobre o real, o imaginário e a mentira.

ADRIANO

10 de Maio de 2017

Amigo, que situação! Mas acredito que faz parte, como você bem esclareceu, uma criança da idade do seu filho ainda está descobrindo a tênue linha da fantasia e realidade. Mas gostei muito da sugestão, de sentar, conversar, expor as consequências e principalmente a necessidade de ter um certo controle sobre o que eles assistem! Belo artigo!

Leandro Nigre

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Realmente, faz parte! Quem nunca mentiu por qualquer razão que seja? Mesmo que aquelas " mentirinhas bobinhas" para pôr fim à conversa ou evitar acusações. Com orientação, seguiremos em frente, Bisker.

Daniel Paccini

10 de Maio de 2017

Que loucura!!! Imagino como foi difícil passar por isso. Principalmente no seu caso que era apenas imaginação. Acho esse assunto muito complicado, precisamos estimular a imaginação dos pequenos e ao mesmo tempo mostrar a realidade. O problema é que compomos com a internet e sua "democracia" que muitas vezes me dá medo kkkkk. Parabéns pela seu dedicação.

Leandro Nigre

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Daniel, no dia, como mencionei, foi um atropelo emocional, mas considerei indispensável a comunicação da escola. Com diálogo e muuuuuita dedicação, os norteamos...Em tempos de democratização da web, seguimos com mais cautela ainda... Seja sempre bem-vindo.

Rafael

10 de Maio de 2017

Que situação... O jeito é tentar pensar friamente: por que ele mentiu? ele tava com medo do quê? ele costuma fazer isso ou foi um caso isolado? ele sabe que mentiu ou ele realmente acha que viu alguma cena dessas? não tem muita fórmula pra lidar com isso, de consolo quase todas as crianças fazem isso e depois param :)

Leandro Nigre

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É isso aí, Rafael. Buscamos entender, explorar e, a partir de então, mostrar todos os riscos das nossas atitudes... Seguimos em frente...com muita imaginação!

Regina

09 de Maio de 2017

Nossa, imagino a sua situação, que constrangimento.... mas tenho certeza de que a escola está acostumada com estas situações. Realmente temos que estar muuuito atentos. Ano passado na sala da minha filha um menino repriduziu uma briga do livro o diário de um banana, onde um nerd reage depois de muito às agressões psicológicas que sofria na escola.

Leandro Nigre

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A capacidade deles colocarem em prática o que guardam em mente é incrível, não é? Eu me assusto quando são colocados em pauta assunto de anos anteriores. Aí, me questiono, mas ele só tem quatro anos, como se lembra? E, em meio a tudo isso, mesclam realidade, fantasia e a interpretação particular sobre o assunto...

Victor Hugo Feliciano Casagrande

09 de Maio de 2017

Que relato interessante, não consigo imaginar o que sentiria numa situação dessas... Quanto mais sei sobre ser pai, parece que menos sei, parece que mais difícil fica. Vou começar a prestar mais atenção no que meu filho vê, mas não me imagino evitando toda influência que pode gerar fantasias assim. Bom, boa sorte para todos nós nessa aventura da paternidade! @VitaoKazones

Leandro Nigre

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Atenção é a palavra-chave em toda vida do pai. A cada fase, uma novidade e, nesta imersão tecnológica, de enxurrada de informação, as antenas devem estar 100%. Obrigado pela visita, Vitão!

Miguel Rebolledo @papaimexicano

08 de Maio de 2017

Muito interessante o seu texto pana, você está certo, acho que para uma criança é muito dificil separar aquela fantasia (na TV, nos comics, nos contos de livros e da propia imaginação) do mundo real, mas como vocês fizeram com o pequeno Guigui, o importante é conversar e fazer ver ele que tem momentos onde ele nao pode "fantasiar" desse jeito, como no caso da escola. Brincar com nossos filhos é tao importante quanto fazer otras coisas básicas como comer, tomar banho, ir á escola..., é alimento da parte emocional, é ser o melhor amigo dos nossos filhos mas, sempre de uma forma consciente, fazendo saber a eles que a brincadeira é durante o jogo, nesse momento vocês sao Batman e Superman mas na vida real tem algumas regras que mesmo nao gostando, sao importantes para ter uma coexistência saudavel na sociedade. Desculpa minhas faltas de ortografia irmao, mesmo com aquelas falhas na lingua portuguesa eu queria te comentar, pois você é um dos meus amigos que me motivam a continuar aprendendo e a compartir minha experiancia como pai com a galera brasileira. Grande abraço desde México Lê, ótimo blog.

Leandro Nigre

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Obrigado por sua visita, pana Miguel. Esse é o legado que queremos deixar para nossos filhos e estreitar as relações desde a infância com uma correção positiva, muito diálogo e amor... Vamos juntos neste processo de educação e compartilhamento de informações. Aprendo muito com você e outros papais também. Seja sempre bem-vindo!

Jow Camargo

08 de Maio de 2017

A mente da criança é solo fértil. Eles têm uma capacidade imensa de "viajar" no mundo da fantasia e por vezes acaba misturando os dois! Não por mal, mas por inocência! Todo cuidado com o que assistem na TV, no celular ou qualquer tipo de mídia é fundamental para que possamos entender, controlar e até evitar comportamentos adversos! Até mesmo com nossas brincadeiras e palavras devemos ter cuidado, pois achamos que não estão prestando atenção por estarem brincando, mas na verdade estão absorvendo tudo ao seu redor!

Leandro Nigre

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É exatamente isso, Jow. Nesta terra fértil plantemos boas sementes para que os frutos sejam de boa qualidade. Você é um papai também preocupado com a geração que deixará neste mundo. Construiremos juntos. Obrigado!

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