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Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do Joões, em seu plural consagrado, João Guilherme e João Rafael, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe de jornal impresso, em Presidente Prudente.

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Deixe a criança fazer sozinha!

Eles crescem e seguimos no mesmo ritmo, não garantindo que conquistem autonomia e aprendam a “se virar”

26 de Março de 2017
1 comentários

Você é do tipo que quer ajudar seu filho em tudo, não suporta a ideia dele enfrentar a adaptação escolar com lágrimas nos olhos, de vê-lo ter dificuldades para executar tarefas no dia a dia, ou mesmo demonstrar frustração? O cuidado excessivo é prejudicial ao desenvolvimento da criança e merece vigilância.

Foto: Arquivo Pessoal

Na maior parte das vezes, instintivamente, os adultos transferem suas emoções aos pequenos e, mesmo regados de boas intenções, os superprotegem, impedindo-os de encarar as oportunidades como possíveis.

Automaticamente, queremos “cuidar de tudo”, assim como fazemos desde os primeiros dias de vida do bebê. Eles crescem e seguimos no mesmo ritmo, não garantindo que conquistem autonomia e aprendam a “se virar”. Observadores, eles já nos demonstram muito cedo que precisam cuidar de si, nos imitando em muitos afazeres, desde a mais tenra idade. Vamos aproveitar o impulso.

O diálogo, o incentivo e a oferta de atividades tornarão a criança mais confiante se ela tiver a chance de desenvolvê-los com o auxílio de um adulto e não que este faça em seu lugar. Com a prática, ela se sentirá reconhecida, terá a autoestima elevada e também se distinguirá como capaz.

Muitas vezes, a superproteção transforma um simples convite ao playground em terrorismo. “Não sobe aí que você vai cair”, “É perigoso”, “Se você subir, não conseguirá descer”... Para muitos, é melhor “evitar a fadiga”, assim sendo, sentar na areia e brincar com o baldinho de praia basta. Espera lá! Levamos nossos filhos às áreas livres e parques para que explorem o espaço, a liberdade, as possibilidades longe do trânsito e das aglomerações, se descubram... Permitam-se!

Proteja os pequenos, ofereça a segurança, mas não diga que não são competentes para determinados afazeres. Esteja de prontidão, por exemplo, para socorrê-los diante de um possível escorregão na escalada ou mesmo de uma queda ao tentar ficar em pé sobre o banco da praça. Não transfira seus medos, suas inseguranças...Deixe-os viver suas próprias experiências!

Permita que a criança se troque sozinha, mesmo que coloque a roupa do avesso; que explore os alimentos desde muito cedo, conheça as texturas no tato, no paladar; que tome banho, ainda que seja necessária aquela fiscalizada antes do uso da toalha... Por melhor que seja seu objetivo ao querer ajudá-la em tudo, derrote sua ansiedade, trabalhe a paciência, queira ensinar, mostrar que ela não é uma extensão de seu corpo, mas um ser que pode e deve garantir independência. Com o tempo, as tarefas mais complexas serão incorporadas na rotina e tão logo, pais e filhos se tornarão aptos a executá-las.

Além de ter seu desempenho avaliado pelo adulto que o acompanha, o pequeno pode receber as orientações de como se comportar corretamente em cada ocasião. Desta forma, avançará fronteiras, conhecerá seus riscos e se tornará hábil para contorná-los. Afinal, identificar o erro é primordial para não incidir na mesma prática. E os pequenos possuem alto poder de assimilar a crítica positivamente, muitas vezes mais que um adulto. Se adaptam facilmente.

Integrar meu filho João Guilherme, 4 anos, em algumas tarefas tem trazido resultados positivos. Lavar o carro com ele, por exemplo, me fez discursar sobre valores materiais e emocionais, cuidado com os bens pessoais, solidariedade, companheirismo, cidadania... Eu tive tanto orgulho dele e ele ainda mais de si... Faça seu pequeno se sentir útil, desenvolver atividades domésticas simples, tornar-se colaborativo nos afazeres do lar, ser responsável por organizar seus brinquedos e pertences. Isso exercitará a atividade em equipe, a paciência, a interação e a motivação para o trabalho futuro! Será prazeroso.

Designar funções e esperar retorno de nossos pequenos os incentivará a lutar por superação. Fazê-los entender suas emoções e capacidades, os fortalecerá, evitando que se sintam “frágeis”. Acredite você também que eles são capazes!

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MAIS 1 COMENTÁRIOS

Paulo Jr

27 de Março de 2017

Gosto de dar toda liberdade para minha filha , aproveitar e tentar todas as possibilidades , do alto dos seus quase 4 anos , já toma "banho" sozinha , arruma sua roupa quando chega da escola , arruma seus brinquedos depois de brincar . Ela morre de vontade de lavar louça , porém a participação dela nessa atividade é guardar as coisas plásticas , como também gosto de explicar pra ela , tudo tem seu tempo !

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