Eu escolho a minha mãe! - Papai Educa

compartilhando a

paternidade ativa

Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do Joões, em seu plural consagrado, João Guilherme e João Rafael, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe de jornal impresso, em Presidente Prudente.

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Eu escolho a minha mãe!

Relação materna vem das entranhas, é irrigada com leite da alma, e não deixa de ser objeto de desejo de muitos papais

14 de Maio de 2017
16 comentários

Eu sou o preferido dos meus filhos, até a mamãe aparecer. O meu caso não difere de milhões de pais de crianças pequenas de todo mundo. A partir do momento em que nós, homens, assumimos a paternidade ativa, com doação em tempo integral à família, dedicando-se em igualdade com a mãe, em muitos casos, nos sentimos frustrados por não receber da prole o mesmo retorno que a figura materna.

Foto: Arquivo Pessoal

Esse sentimento é maior para o papai de primeira viagem que ainda não vivenciou as fases do desenvolvimento infantil. Foi assim comigo. A sensação de “abandono” se acentuou, uma vez que o tempo que antes era dedicado pela mulher a mim passou a ser dispensado, em sua maioria, à criança. E, aí, me senti no banco de reserva. Contudo, o andar da carruagem me provou que não era uma segunda opção!

Antes mesmo da criação do Papai Educa, no Instagram, minhas publicações possibilitaram a comunicação com papais de diversas localidades. A atuação em rede social atualmente me permite participar de grupos de homens que colocam em prática sua vida real de pai. A queixa, nos “clubes do bolinha”, normalmente são próximas quando o assunto é a “preferência” dos filhos. A mamãe rouba a cena, sempre.

Hoje compreendo toda dependência que meus meninos têm da mãe. Embora calado, confesso que no início tive dificuldade para assimilar. Por maior que fosse minha dedicação na oferta de qualidade de tempo, quando ela surgia, era como se eu não estivesse ali, passava despercebido. Depois de tanto investimento físico e emocional, me sentia novamente no banco. Esta realidade foi constante, sobretudo, até os dois anos de vida do meu primogênito. E, muitas vezes, ainda é. Se a mãe aparece após se ausentar por algumas poucas horas (ou até minutos), os olhos brilham, o semblante muda, uma explosão de alegria o invade, é como se ele não a visse há anos... O cenário é daqueles que vislumbramos em slow motion, de boca aberta, com inúmeros replays. E eu, o pai? Assisto e me emociono com tamanha grandeza de sentimento!

Amor não se compete, não se coloca em balança de precisão para pesar quem recebe mais ou menos. Cada um ocupa sua posição e grau de importância na vida dos filhos. A nós, homens, na sequência das fases a partir do nascimento, vislumbraremos necessidades pontuais e estreitamentos naturais no relacionamento com a prole. Enquanto meu filho quer a mãe para fazê-lo dormir, por exemplo, em mim, ele busca segurança, orientação e lazer. Meu primeiro João me copia em quase tudo, no jeito de se comportar, de falar, de sentar, de agir... e, assim, constrói, sua identidade! Isso me motiva a me policiar, a buscar ser um cidadão melhor para que ele possa se referenciar. Esta dedicação nos aproxima, nos mantêm juntos, interligados... E, hoje, eu também sou preferência para inúmeras atividades. O caçula, em seus 45 dias de vida, ainda vive a dependência integral da mamãe. Mas estou a postos, disponível.

Pais, não alimentem o ciúme doentio entre si, não tracem competição, não se imitem, mas busquem no outro aquilo que a criança gosta de receber dele. Ter prioridade para determinada ocasião não significa ser mais amado. Muitas vezes, há afinidades, por oferta de qualidade no atendimento às suas necessidades: aleitamento, alimentação, carinho, atenção, proteção, brincadeiras... E estas escolhas ocorrem em toda relação social: família, amigos, colegas de trabalho, de escola...

Evite sobrecarregar a criança com cobranças: “Você prefere a mamãe ou o papai?”. Os laços entre pais e filhos tendem a se estreitar ainda mais se, nesta relação, há comportamentos saudáveis, não agressivos, lesivos aos pequenos, mas aqueles que garantem amor e assistência. Não sinta-se desestimulado a não exercitar a paternidade ativa e responsável ao ver seu filho se desgarrar de seus braços e correr para os da mãe mesmo após uma incansável oferta de amor.

Queira esta cumplicidade, entenda cada fase do desenvolvimento infantil, troque experiências com outros pais e com especialistas no assunto. Estude, estude, estude...  e invista no seu maior projeto de vida. Informação e conhecimento transformam o mundo e podem também gerar mudanças no seu lar. Não busque o posto ocupado pela mãe, valorize-a, aprenda com ela e se banhe com tamanha ternura.

A minha mãe é luz para minha vida, o mesmo que a minha esposa para nossos filhos. A relação materna, que vem das entranhas, de ser o objeto de amor, irrigado com leite da alma, não será vivenciada pelo ser humano do sexo masculino. Ela nutre, supre, cuida, ouve no silêncio, acalenta no olhar, enxerga na escuridão... é criação divina, ser imaculado. É incomparável. É mãe!

* Os textos só podem ser reproduzidos mediante autorização do autor e desde que citada a fonte

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MAIS 16 COMENTÁRIOS

Pablo Ozorio

21 de Maio de 2017

Amor de mãe: como questionar? Mãe é amor sem medidas, mãe é segurança, mãe é acalento. Parabéns pela sensibilidade com o texto

Joyce Pedroso

19 de Maio de 2017

Muito lindo seu texto. Vou encaminhar pro meu marido pois ele se sente abandonado muitas vezes, mesmo eu explicando tudo isso.

Tatiane

17 de Maio de 2017

Adorei o texto! Mãe e pai tem seu espaço, as vezes o apego é maior com um numa determinada fase, depois muda.

Mariana

16 de Maio de 2017

Seus posts são fantásticos e não consigo parar de ler, aqui o filho é muito apegado em nós dois, mas quando o pai está em casa não tem vez aqui para a mamãe. Abraço. Mari Teixeira Blog Vamos Mamães

Bruno Santiago

16 de Maio de 2017

Com certeza, pais não podem ter ciúmes dos filhos... não se pode competir! Aqui graças a Deus a mamãe é especial.. nunca passei por "constrangimento" do Samuca sempre ficar com a mãe.

Jacky Lima

16 de Maio de 2017

Amei o texto, pouco pais tem um Blog tão bacana como o teu! Parabéns! E sobre o escolher a mãe é sempre assim, mas quando papai é tão presente quanto nós a atenção dos filhos é a mesma!

Valdirene Souza

16 de Maio de 2017

Adorei o texto, e enquanto eu lia, fiquei pensando no meu esposo e nos sentimentos dele de pai, confesso que como mãe as vezes sou egoísta e quero as crias só para mim, e através do seu relato me senti mal por isso, acho que vale uma reflexão materna sobre o tema, obrigada por me fazer pensar no assunto!

Regina

16 de Maio de 2017

Adorei seu texto!!!!!!! E realmente os pais não precisam se preocupar pois cada um tem seu espaço. Beijos Regina

Mariana Felix da Silva

15 de Maio de 2017

Por inúmeras vezes meu marido chorou, sem entender exatamente o que ocorria em casa, esta dependência do bebê comigo. Vivia um silêncio, mas eu via em seus olhos os questionamentos sobre o amor. Era exatamente como você descreveu e, com o tempo, nosso filho ficou mais próximo dele. Hoje são muito grudados, vão a quase tudo juntos.

ADRIANO

15 de Maio de 2017

É bem isso mesmo, uma mistura de sentimentos positivos e não tantos.. Mas com tranquilidade, maturidade tudo a caba superando e, amor não se divide, soma!!!

Victor Hugo

15 de Maio de 2017

Sei bem como é esse sentimento, e uma das coisas que mais acentua isso são textos comparando a mãe e o pai, engrandecendo o amor materno e ironizando o paterno. Tipo de texto que dificilmente gosto, estou entendendo a grande importância da mãe em relação ao pai agora, mas não precisa diminuir a a importância da paternidade por causa disso. Ser mão dese ser espetacular, invejo isso, de um jeito positivo. @VitaoKazones

MARCOS ROMEU

15 de Maio de 2017

Como sou pai de uma princesa, recebo tanto amor e carinho que nunca havia parado para reparar esse comportamento. gracas a Deus não existe cobranças ou ciumes em nossa criação, acho que o segredo e ser uma equipe e cada um se em carregar do seu papel na criação dos filhos.

Rafael

15 de Maio de 2017

É sempre difícil controlar nossos "ciúmes". Eu sentia bastante isso com meu filho e minha mãe, que me ajudou a criar ele no primeiro ano. Com o tempo a gente vai percebendo que é bobagem, a gente dá o nosso melhor e é isso, amor de verdade não tem que ter essa cobrança ^^

Paulo Sérgio Medeiros

14 de Maio de 2017

Só muda o endereço. Meus meninos também são muito ligados à mãe. Meu mais velho, de 6 anos, já está mais próximo a mim, tem muitos gostos parecidos, porém o de 1 ano e meio é bem arredio. Mãe realmente é mãe.

Johnny Wilson Mailler

14 de Maio de 2017

Cara, que luz para minha vida este texto. Estou passando exatamente por isso e me sinto frustrado ao me esforçar tanto e ter a sensação de não ter a confiança plena do meu filho de 2 anos. Basta a mãe aparecer!

Maria Clara Vieira

14 de Maio de 2017

Amei. Falo com meu marido que ao longo do tempo meu filho vai se sentir mais apegado a ele, que é uma questão de fase esta dependência da mamãe. Já compartilhei.

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