Filhos em redoma de vidro... - Papai Educa

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Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do Joões, em seu plural consagrado, João Guilherme e João Rafael, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe de jornal impresso, em Presidente Prudente.

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Filhos em redoma de vidro...

Ensinar a criança a lidar com as influências externas é mais saudável para sua socialização

23 de Julho de 2017
6 comentários

A gente cresce ouvindo o mundo dizer que não é possível criar filhos em redoma de vidro. E realmente não é. Não conseguimos ter controle de tudo o tempo todo. Nos primeiros anos de vida da criança há um maior domínio das interferências externas, porém a partir da socialização, que para algumas crianças só ocorre na idade escolar, nos deparamos com atitudes dos pequenos não experimentadas no ambiente familiar.

Arte: Arquivo Pessoal/Diego Souza

Toda formação do indivíduo é reflexo da sociedade a qual ele está inserido. Carregamos vícios de linguagens, comportamentos, conhecimentos, costumes, valores, cultura, conceitos de ética, moral e cidadania... Ao mesmo tempo em que absorvemos o que o ambiente nos proporciona, refletimos o modo de ser aos que convivem conosco. Assim, formamos nosso caráter, nossa conduta e, direta ou indiretamente, influenciamos o próximo...

Vivemos em uma sociedade pluralista, cheia de segmentações e, naturalmente, tendemos a integrar o grupo ao qual detectamos afinidades… Ter empatia é normal, mas não nos dá o direito de “excluir” aqueles que não são ou vivam como nós. As principais guerras do mundo ocorrem por divergências, sejam elas ideológicas, políticas, religiosas, sociais… E, enquanto não houver respeito e compreensão das diferenças, continuaremos encontrando os reflexos da intolerância.

Eu posso e devo ensinar meus filhos dentro dos meus princípios religiosos, morais e éticos, porém mostrar que, além desta educação não lhe garantir o direito de qualquer repressão a quem se comporta de modo diferente, é preciso levar em consideração que nem sempre a forma como você pensa sobre alguém represente efetivamente a maneira como ela é. Assim sendo, muitas vezes, é necessário pensar no outro e colocá-lo à frente de nossos interesses.

Despertar esta consciência é prevenir o cometimento de bullying e outras formas de violência que podem ocorrer ainda na infância. A própria sociedade caminha para uma segmentação. Cristãos, judeus, comunidades alternativas, homossexuais e grupos políticos, por exemplo, tendem a "se encontrar", viver numa zona de conforto e amizade. Mas todos têm os mesmos direitos e deveres.

Há influências que somente a educação familiar poderá disciplinar os membros deste grupo e, consequentemente, o comportamento da criança. Vamos exemplificar com a alimentação. Mais preocupados com a qualidade de vida, muitos pais querem seus filhos longe de refrigerantes, doces, fast-food e outras guloseimas. Entretanto, em um determinado momento, eles terão a possibilidade de apreciá-los longe dos olhos de seus responsáveis. A criança recusará, pois é consciente, ou vai querer experimentar escondida dos pais? E amanhã, quando, mais velha, surgirem as drogas lícitas, ilícitas, o sexo e toda influência da grande massa? É preciso investir na base, no alicerce.

Somente com diálogo claro e objetivo será possível garantir segurança às crianças acerca de suas decisões. Os valores, no campo da sociedade, são instáveis e somos convidados diariamente a refletir sobre nossa essência e toda banalização implantada pelo mundo contemporâneo. E, diante do anseio de se sentir parte do meio, se não houver uma formação sólida, muito se perderá na tentativa de ser aceito pelos demais ou mesmo suprir suas necessidades emocionais...

Conhecer os valores dos outros nos faz refletir sobre os nossos. A mudança para esta formação e conscientização deve partir do adulto. O exemplo arrasta e, muitas vezes, quem precisa tirar a tapa  dos olhos - igual a do cavalo -  somos nós! A redoma de vidro, na vida real, é usada para preservar peças de estima e , nenhum ser humano conseguiria viver enclausurado nela. Então, caso ela esteja, mesmo que imaginariamente por aí, uma hora se quebrará!

* Os textos só podem ser reproduzidos mediante autorização do autor e desde que citada a fonte.

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MAIS 6 COMENTÁRIOS

Claudia

02 de Agosto de 2017

Muito bom seu texto. É muito difícil lidar com estes temas, como proteger sem exagerar? Como ensinar conceitos tão importantes? Com paciência, diálogo e boa vontade, tudo fica mais fácil, não é mesmo? Abraços

Tatiane

28 de Julho de 2017

O exemplo é tudo! Mais um ótimo texto! Realmente não dá para esconder nossos filhos do mundo e nem o mundo deles. É preciso, diálogo, amor, orientação sempre.

Rafael

25 de Julho de 2017

A melhor educação era, é e sempre será o nosso exemplo <3 Parabéns pelo texto!

Regina

25 de Julho de 2017

Adorei esta reflexão!!! Aqui eu poupo de algumas coisas, mas em outros momentos falo sobre as situações mostrando as coisas não tão boas da vida, de forma mais lúdica e numa linguagem adequada. Sempre que possível procuro livros infantis que abordem assuntos "interessantes" para estas situações

MARCOS JOSÉ

24 de Julho de 2017

Difícil pensar no futuro dos filhos com tantas mudanças. Trabalhamos a conscientização diária e desde pequena, já ensino que tudo é licito mais nem tudo nos convêm. Para mim o respeito ao próximo é o principio de tudo e pensando assim creio que teremos uma filha do bem que saberá se proteger e tomar suas decisões. Nada de super proteção!

ADRIANO

24 de Julho de 2017

Texto sensacional, inspirador, todo mundo tem que ler!! Sou seu fã cara!

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