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Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do Joões, em seu plural consagrado, João Guilherme e João Rafael, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe de jornal impresso, em Presidente Prudente.

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O mundo lá de cima

Acreditamos carregar o mundo na cabeça, nas costas, nas mãos, mas ele nos escorre entre os dedos e não temos o controle de tudo o tempo todo

06 de Dezembro de 2018
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Hoje imaginei como seria ver o mundo em que vivo lá de cima, como se pudesse reconhecer cada canto que compartilho com minha família, amigos, colegas de trabalho... Fechei os olhos e permiti fazer esta viagem e não vislumbrei qualquer objeção que me impedisse de ser grato por tudo que tenho, vivo e sou. Ainda que, por qualquer eventualidade, existam dias difíceis, em todos eu encontro apoio e força para crer que “tudo vai passar”.

Nesta viagem para me observar, me enxergo em uma introspecção que me salva do que não é para mim. E não falo de grandes acontecimentos, bens materiais ou compartilhamento de sentimentos. É das coisas simples da vida. Podem ser dos meus filhos, da minha esposa, dos meus pais, amigos ou qualquer um próximo, mas nem tudo que está ao meu alcance e daqueles que amo incondicionalmente é meu, porque não me pertence. E tenho o direito das minhas escolhas.

Ter a capacidade de respeitar quem somos nos garante sintonia com nosso “avesso”, o que está dentro, o que o silêncio não transforma em palavras verbalizadas, porque ele também é confortável. E isso não significa que este mergulho em mim precisa ser constante, com correntes e uma âncora que me manterá naquelas profundezas. Eu vou, mas volto, nem que seja para esconder-se de mim mesmo. Aliás, nem sempre lá é tão tranquilo quanto parece. Também amedronta e me resgata pelos mesmos motivos que me levaram até lá.

Acreditamos carregar o mundo na cabeça, nas costas, nas mãos, mas ele nos escorre entre os dedos e não temos o controle de tudo o tempo todo. E está tudo bem! Desenhamos o nosso trajeto terreno, nossos objetivos como um mapa do tesouro, queremos gerenciar um tempo que é de Deus, que faz com que a vida siga a própria vida. E isso não significa que não tenhamos que sonhar, planejar, mas também acolher com generosidade aquilo que não estão nos traços do rascunho que fizemos. Aliás, nada precisa ser tão permanente. E aquilo que quer continuar imutável pode assim ficar. É um exercício de aceitação. E sem pressa, pode levar o tempo que for. E está tudo bem!

A cada dia construo minha história. Ainda que precise fazer estas viagens e olhar lá de cima, entre erros e acertos, eu vou em frente, certo que a graça que me acompanha jamais me desampara. A maioria das minhas caminhadas são silenciosas, mas jamais solitárias. Eu até tenho chance de dizer “não” a mim mesmo, mas estou aprendendo a não me boicotar. E isso tem tudo a ver com o que o outro espera de mim, sobretudo meus filhos, já que me serão gratos por não culpá-los de toda vida não vivida!

E, talvez, caro leitor, este texto nem seja verdadeiramente sobre mim...

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