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Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do Joões, em seu plural consagrado, João Guilherme e João Rafael, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe de jornal impresso, em Presidente Prudente.

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Os filhos partirão...

Um dia eles sairão da nossa cama, não sujarão o banco do carro e não deixarão mais marcas de mãos pelos móveis

04 de Junho de 2017
6 comentários

Em casa, muitas vezes, tenho a sensação de que tudo parece estar de cabeça para baixo. Em muitas ocasiões seguimos na contramão da avalanche de teorias que querem nos enfiar goela a baixo como educar e criar os nossos filhos. Há criação com apego, tem criança de 4 anos com mamadeira, já rolou muita cama compartilhada, o desfralde só ocorreu quando houve sinais de segurança e por mais que eu ofereça autonomia e responsabilidades para que o pequeno ganhe independência em sua formação e desenvolvimento, há muitos afazeres que eu me proponho a ajudá-lo.

Embora estejamos em busca constante de aprendizado e acreditamos que os estudos nos mais variados campos do desenvolvimento humano sejam regados de benefícios, não ficamos presos às teorias, correndo atrás dos livros como se fossem manuais de instruções. Aliás, as crianças não vêm com botões liga/desliga e tampouco ferramentas para apertar parafusos. Elas não os têm e, conforme meu primogênito cresce, eu agradeço à criação divina por vivenciar a edificação de um ser único, com identidade própria, que também me forma com exposição de personalidade e ponto de vista. E mesmo que a informação seja um fio condutor, me pauto na intuição paterna e no amor para minhas escolhas.

Com dois pequenos em casa, senti a mudança significativa na rotina e, digamos que... até mesmo na decoração do lar. As louças e porta-retratos estão enfeitados, muitas vezes, com fraldas de boca, copinhos, mamadeiras, normalmente acompanhados dos bonecos dos super-heróis, carrinhos e outras miniaturas. No meio da pequena sala, o carrinho de bebê, o bebê-conforto recém-tirado do veículo e uma cadeirinha de balanço. Bagunça? Não, vida!

Vida que se espalha não só pelos móveis, mas na lataria do carro recém-encerado, nas migalhas espalhadas pelo assento, nas pegadas de sapato no encosto do banco ou nas de mão no vidro traseiro. Ah, estas últimas deixam suas digitais e faço questão de olhá-las com detalhes, mesmo conhecendo a procedência. Ter filhos tem destas coisas e ser pai é um desafio de releitura diária daquilo que realmente é necessário para nos fazer feliz.

A casa pode estar limpa, mas não ter todos os objetos em seu devido lugar o tempo todo. Pode ser colocada em ordem, porém não garantir o mesmo cenário daquela dos recém-casados. O automóvel ainda que receba a faxina periódica, não exige um estado impecável por muitos dias... Se em nosso meio não há sinais de vida, pode haver os da falta dela...

Permita a “bagunça” e tire uns minutos para o “arrastão” de organização. E, se o tempo não surgir conforme planejado, toque em frente. Convide-os a participar. Nos cobramos demais e, consequentemente, exigimos muito dos pequenos. Discipline-os, seja participativo, mas não autoritário. Almeje respeito e também amor. Esse sentimento nos move e a falta dele é responsável pelas maiores guerras mundiais.

Garanta os abraços, os beijos estalados, o toque físico, o rolar no chão, as brincadeiras sobre a cama e o tapete. Visite as praças, corra, pule... Olhe profundamente nos olhos, amacie seus cabelos e busque também “não fazer nada” em sua companhia. O “nada” pode ser “tudo” quando há oferta de tempo. Queira assistir o filme agarradinho no sofá, converse sobre a relação de vocês, seus sentimentos, sonhos, vontades e eduque-o, mas não o faça refém da disciplina.

Permita-se seguir em equilíbrio, tendo-o como palavra-chave na conduta deste processo de formação. Precisamos ser capacitados para amar e não apenas falar “eu te amo”... Um dia nossos filhos sairão da nossa cama, não sujarão o banco do carro e não deixarão mais marcas de mãos pelos móveis. Os mesmos dedos que tocam tudo pela casa não estarão nas nossas costas durante a madrugada, não segurarão mais nossos dedos para atravessar a rua, não acariciarão nossa face enquanto os seguramos nos braços e talvez sejam vistos num abano de adeus, sem prazo de volta... Já não existirão madrugadas em claro, mamadeiras e brinquedos espalhados e o colo já não os acolherá...

E, como eles não acompanham manuais quando desembarcam em nossa vida, sobretudo com orientações de como reprogramar os momentos perdidos, experimente ofertar-lhes aquilo que o dinheiro não compra... Não se prenda aos livros, às teorias... abuse do amor! O tempo não vai parar, não haverá prazo para garantias e, um dia, eles partirão!

 

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MAIS 6 COMENTÁRIOS

Donias Bittencourt

06 de Junho de 2017

Caramba. Pura verdade. Texto emocionante. Vamos aproveitar cada segundo pq o tempo está nos engolindo. E já já eles crescem e voam para ter suas próprias vidas

Pedro Paulo Mello

06 de Junho de 2017

Leandro, Não mexa assim com nossas emoções, meu amigo. Parabéns pelo texto.

Paula Santana

06 de Junho de 2017

Quanto de mim tem neste texto...Chorei.

MARCOS ROMEU

06 de Junho de 2017

Nessas horas, vou espera a chegada dos netos! E tentar manter a casa com aquele toque especial que os pequenos sabem da. Parabéns pelos traços dos pequenos em seu dia dia, precisamos de mais pais assim. Sensíveis as crias.

ADRIANO

05 de Junho de 2017

Pô amigo, até caiu um cisto no meu olho! Nem quero imaginar este dai, onde as minhas tri sairam de casa.. Ou seja, aproveitar e muito enquanto estamos juntos! Belo texto!!!

Rafael

05 de Junho de 2017

Eu, quando acompanhava a gravidez da mãe do meu filho, me enchia de livros sobre como educar, devo ter uns 15 livros sobre desenvolvimento infantil. Mas acho que a partir do 1º ano dele comecei a pegar pirraça desses "guias" e comecei a confiar mais em minha intuição. Acho importante e necessário estudar sobre psicologia, por exemplo, mas nosso guia deve ser nossa consciência mesmo :)

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