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Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do Joões, em seu plural consagrado, João Guilherme e João Rafael, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe de jornal impresso, em Presidente Prudente.

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“Os meninos têm pênis e as meninas têm vagina”

Debate sobre a sexualidade ainda é tabu para muitas famílias e muitos pequenos ficam sem informação

22 de Maio de 2017
8 comentários

O título deste artigo faz menção à celebre frase dita por um aluno da educação infantil no filme “Um Tira no Jardim de Infância”, protagonizado por Arnold Schwarzenegger e lançado na década de 90. A expressão é apenas para ilustrar que a informação, seja ela sobre o que for, hora ou outra, chegará aos seus pequenos. Estar capacitado para esclarecer dúvidas e orientá-los se faz indispensável e tarefa de nós, responsáveis. Mas, ninguém nasceu habilitado em tudo, não é?

Foto: Arquivo Pessoal

Falar sobre sexualidade ainda é tabu para muitas famílias. Em diversos lares, a nudez é tida como erótica, sexual... Os esclarecimentos sobre o corpo humano não constam na agenda de diálogo e as palavras pênis e vagina não podem sequer ser mencionadas no ambiente familiar. Com tantos vetos, a informação não alcança muitas crianças como medida preventiva.

Bons e maus conceitos são ensinados. Na criação dos filhos levamos muito do que vivenciamos com nossos pais na infância. Aqueles que têm uma vida naturista, por exemplo, tendem a não se importar com a nudez alheia. Ao contrário dos que nunca tiveram qualquer contato do tipo e ainda foram repreendidos ao flagrar um adulto no banho, por exemplo, ou mesmo receberam lapidações para não se despirem na frente dos membros da família.

Respeito toda e qualquer forma de educação. Muitas vezes elas são regidas com base em seus preceitos religiosos e sociais. Por aqui, fui criado como “índio” e minha esposa nem tanto. Não temos qualquer restrição para tomarmos banho com os meninos ou trocarmos de roupa na frente deles. Ao contrário da família dela, a minha sempre tratou a nudez com muita naturalidade. É claro que, a partir da metade da infância já buscávamos uma preservação natural do corpo, por timidez, vergonha ou mesmo imposição de limites dos pais.

Na era da propagação desenfreada de informação e das canções de “bundinha” no chão, conhecer a informação e transmitir segurança ao responder os questionamentos dos filhos é regra de sobrevivência. Da mesma forma que se livrar dos preconceitos se torna tarefa indispensável diante deste cenário para garantir aos pequenos uma interpretação correta do que veem, ouvem e falam sobre a sexualidade.

Sendo assim, ser o portador da boa orientação é a melhor de todas as decisões. Fale com a criança sobre seu corpo, o que pode e não fazer com ele, em casa ou ambientes públicos, ensine-a a se prevenir de possíveis violências sexuais, deixe claro a confiança entre vocês e que ela pode expor todo e qualquer contato que goste ou não de receber de alguém, seja familiar ou estranho. Ao mesmo tempo, para prevenir a violência sexual, explique o que é toque de amor e o que não é.

Outro ponto que merece ser evidenciado é que muitos homens e mulheres precisam se livrar de comportamentos machistas, ao propagar que meninos desde muito cedo são forçados a buscar as namoradinhas e mostrar seu órgão genital diante dos familiares para receber elogios. Na contramão, estas pessoas tendem a recriminar qualquer atitude neste sentido que partam das meninas. Pura ignorância!

Enquanto uns fomentam a erotização precoce, outros inibem a comunicação em seus lares acerca da sexualidade. Equilíbrio é palavra-chave. Buscar ajuda profissional, se necessário, pesquisar, estudar sobre determinados assuntos e comportamentos e manter uma relação estreita com a escola e os familiares para um diálogo aberto são atitudes que favorecem a melhor condução e entendimento deste fantástico desenvolvimento humano.

Aliás, neste aprendizado de vida não há nada de errado em expressões naturais. Como pais e educadores, é nosso papel ajudá-los a entendê-las e lapidá-las. Os interesses adultos quanto à sexualidade são diferentes dos infantis. Devemos dotar nossos filhos de princípios, porém garantir que se expressem, que falem de seus sentimentos e que saibam, acima de tudo, preservar seu corpo e valorizar sua vida. Permita ser o autor da construção de um ser humano ético e, acima de tudo, feliz.

* Os textos só podem ser reproduzidos mediante autorização do autor e desde que citada a fonte

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MAIS 8 COMENTÁRIOS

Regina

01 de Junho de 2017

Ótimo texto! Concordo plenamente, tem que haver o equilibrio mas sem jamais deixar de informar.

Michele Gobbato

25 de Maio de 2017

Adorei o texto, aqui também tratamos com naturalidade, tanto que ele toma banho com o pai, as vezes comigo, as vezes os três, nos travamos juntos, agora com ele ficando maior algumas perguntas surgem e respondemos pra ele dentro da compreensão para a idade, mas não deixamos sem resposta

Bruno Santiago

24 de Maio de 2017

Aqui em casa, somos abertos. Gradativamente, vamos construindo a informação! Parabéns pela abordagem!

marcos romeu

23 de Maio de 2017

Aqui em casa o assunto e trabalhado abertamente. Desde pequena ensinamos a Tarsila o básico e obrigatório para toda criança (no meu ponto de vista) nada contra quem prefere mascara esse assunto dentro de casa, mas é certo que uma hora o "PORQUE" chegara.

Camila Souza

23 de Maio de 2017

O tema é indispensável para ser tratado nas famílias. E a gente vê que pouca gente até mesmo se interessa pelo assunto. Obrigado por compartilhar com a gente esta informação, Leandro.

ADRIANO

22 de Maio de 2017

Sou a favor da informação, sem desinibição, hipocrisia. Achoque pais travados tendem a deixar filhos travados. Não sigo a linha do naturalismo, mas sim do respeito, informação, conhecimento e sem os tabus, criando assim seres humanos que saberão lidar com a sua sexualidade!

Rafael

22 de Maio de 2017

É um tema delicado também pq cada família tem seus valores. Aqui tento educar para uma maior naturalidade com o corpo, eu e meu filho tomávamos banho juntos até pouco tempo e nunca foi constrangedor. Agora cada um toma na sua vez, mas muito mais por questão de espaço, mas na hora que um tá saindo o outro tá entrando e tá tudo bem. O lance é educar que isso é natural na família, mas fora de casa não é, e devemos estar vestidos e não deixar que ninguém interfira nisso ou nos toque sem conhecer, pois infelizmente tem muita notícia por aí de abusos sexuais na infância :(

Victor Hugo

22 de Maio de 2017

Aqui usamos "pipi" e "piriquita", veio da minha esposa e, como não sabia bem como tratar o assunto, segui a ideia, que não achei nada mal. @VitaoKazones

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