Os “pais de selfie” - Papai Educa

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Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do Joões, em seu plural consagrado, João Guilherme e João Rafael, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade, especialista em Mídias Digitais, editor-chefe de jornal impresso, em Presidente Prudente.

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Os “pais de selfie”

Eles aparecem de vez em quando na rotina da criança e ainda saem bem na foto

24 de Abril de 2017
8 comentários

Eles superlotaram as redes sociais. “Cada mergulho é um flash”, diria a personagem Odete, da saudosa atriz Mara Manzan, na dramaturgia “O Clone”. Fotos e mais fotos ilustram o dia a dia na paternidade. De encher os olhos, ao menos neste cenário, as imagens retratam momentos, eternizam histórias... Entretanto, podem camuflar a realidade. Os “pais de selfie”, como já apelidados em outros escritos, sobretudo por mulheres que vivem na pele a novela da vida real, apresentam-se na internet proativos na vida da criança, porém, na prática, não é o que efetivamente ocorre.

Foto: Arquivo Pessoal

Inúmeros são os relatos de mães, solteiras e casadas, e comentários de desabafo em rede social quanto aos “pais de selfie”. Elas questionam a enxurrada de imagens de papais que não representam o papel desempenhado no cotidiano da criança. Muitos não arcam com suas obrigações financeiras e sequer doam tempo para criação e educação dos filhos. Aparecem de vez em quando, armazenam as fotografias e as diluem ao longo dos dias. Criticam com toda razão. E se a carapuça não serve, não há porque colocá-la.

A paternidade ativa está muito além de “botar comida na mesa”, de representar o antigo papel de coadjuvante da mãe, de ser apenas provedor. Além de suprir as necessidades financeiras dos filhos, é indispensável participação, envolvimento e responsabilidade com a prole. E não se trata de tendência contemporânea, mas obrigação do pai de se doar em tempo integral à família, dedicando-se em igualdade com a figura materna.

Na maternidade ou paternidade, nenhum deve substituir o outro, a não ser por motivo de força maior. No Brasil, a Lei Federal 11.804/08, que disciplina o direito a alimentos gravídicos e a forma como ele é exercido, impõe a obrigação ao pai de custear, desde a concepção, alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, parto, medicamentos e demais prescrições preventivas e terapêuticas à gestante. As mulheres que não tiverem o direito garantido podem recorrer ao Judiciário.

Da mesma forma, os que não possuem a guarda, devem suprir as necessidades da criança (alimentação, moradia, educação, vestuário, saúde e lazer) com a pensão alimentícia, valor estabelecido judicialmente e pago até que o filho atinja 18 anos ou conclua estudos universitários. Isso muda em caso de guarda compartilhada, na qual direitos e deveres dos pais são divididos igualmente.

Embora tenhamos leis que disciplinam os que ainda são intransigentes nas suas obrigações, a figura paterna deve ser presente em toda rotina da criança, como, por exemplo, na compra dos pertences pessoais, na escolha do colégio, na execução das tarefas escolares, na visita ao pediatra, ao dentista, em programações culturais e de lazer.

Há ainda deveres paternos que não se conquistam por meio de leis, como carinho, atenção, diálogo, respeito, amor e educação. Atos e sentimentos que colaboram para a formação da cidadania e da saúde emocional da infância, que refletirá na vida adulta.

A omissão fere, machuca e destrói a oportunidade de exercer um dos mais belos papeis ao ser humano do sexo masculino, o de ser pai em toda magnitude deste título. Na paternidade ativa, não há malefícios. Não se busca rótulos de “paizão”, “superpai”, ou chuva de elogios pelo exercício da função, mas há contrapartida de quem mais precisamos de retorno: os filhos. E nunca é tarde para começar. Além de educar, deixe-se ser educado. “Pai de selfie”? Eu não e você?

* Os textos só podem ser reproduzidos mediante autorização do autor e desde que citada a fonte.

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MAIS 8 COMENTÁRIOS

Mariana

16 de Maio de 2017

Infelizmente não são só país é sim mães também hoje em dia é isso é uma pena infelizmente.

Regina

16 de Maio de 2017

Muito boa a reflexão, mas temos que lembrar que infelizmente tem muitas mães xe selfie também e no final eu só penso na criança que cresce vendo uma vida estampada aos 4 ventos e esta vida não é a sua... muito triste. Beijos Regina

Katy Gutterres - @madame.amelia

11 de Maio de 2017

Uaaaau!!!!! Estava falando sobre isso com umas amigas esses dias, cujos maridos são pouco participativos na vida dos filhos! Incrível como saem "bem na fita", ou melhor, na selfie muitas vezes sendo quase que estranhos dividindo (ou não) o mesmo teto com os filhos! Parabéns por ser um pai diferente e incentivar outros pais a fazerem a diferença na vida de seus filhos!!!

Victor Hugo

10 de Maio de 2017

Falo muito disso com amigos, mas não conhecia esse termo. Ser pai não é lotar as redes sociais com imagens do filho, muito longe disso. Parabéns, belo texto.

Leandro Nigre

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É isso aí, Victor. Conscientizemos!

Michele Gobbato

10 de Maio de 2017

Ótimo post, mas muitas vezes esses pais de selfies não são só os que não pais que não estão juntos, vemos infelizmente pai e mãe que se enquadram nesse título também. Michele Gobbato

Leandro Nigre

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Você tem toda razão, Michele. Como relato no texto, "inúmeros são os relatos de mães, solteiras e casadas, e comentários de desabafo em rede social quanto aos “pais de selfie”". E as mães também não estão longe desta realidade, infelizmente.

Ruan Sales

27 de Abril de 2017

Parabéns pelo texto. Infelizmente é atriste realidade de hoje em dia. Alguns homens ainda pensam que serão menos homens se jogarem de cabeça na educação e cotidiano dos filhos. Não sabem o que estão perdendo!

Leandro Nigre

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Feliz com seu ponto de vista, Ruan. Infelizmente é um perda a todos os que não colocam a mão na massa. Seja sempre bem-vindo!

Carla Silva Lima

24 de Abril de 2017

Meu ex-namorado me deixou grávida e hoje, aos cinco anos de meu filho, ele nunca apareceu para conhecê-lo. Ainda me pergunto, que pai é este?

Leandro Nigre

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Carla, Sinto muito por isso. Um pai omisso deixar marcas. Não vivi esta realidade, mas vejo o quanto o oposto - estar presente - faz diferença na vida dos meus filhos. Ah, e não esqueça: pai é quem cria! Desejo uma vida feliz a vocês. Obrigado

Luciana Chezliant

24 de Abril de 2017

Ah, e como eu conheço... E com o tempo, a mãe, a criança e todos ao redor desmontam este personagem da vida virtual, pois a mentira não se sustenta por muito tempo.

Leandro Nigre

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Triste realidade, Luciana. Uma hora, realmente, não se sustenta a mentira... Grato por nos visitar. Volte sempre!

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