Pai por inteiro - Papai Educa

compartilhando a

paternidade ativa

Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do João Guilherme, do João Rafael e da Maria Vitória, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade e jornalismo, especialista em Mídias Digitais.

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Pai por inteiro

Depois de quase uma década escrevendo sobre paternidade, continuo acreditando na mesma ideia: nada substitui a presença

09 de Agosto de 2026
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Há quase dez anos, comecei o projeto do Papai Educa. Na época, a ideia era simples: mostrar que a presença de um pai na vida dos filhos não é um detalhe. É uma necessidade. Eu queria compartilhar experiências da minha rotina como pai, dividir aprendizados, erros, acertos e, principalmente, defender uma bandeira que continua tão urgente quanto no primeiro dia: estar presente.

Foto: Divulgação

Naquele momento, a internet ainda mostrava a figura do pai, muitas vezes, como alguém que "ajudava" a mãe ou aparecia apenas nos momentos de lazer. Felizmente, muita coisa mudou. Hoje vemos mais pais levando os filhos à escola, participando das reuniões, dividindo os cuidados da casa, trocando fraldas, preparando refeições e acompanhando consultas médicas. A sociedade começou a compreender que a criação dos filhos não é uma tarefa secundária para o homem, mas uma responsabilidade compartilhada. Essa mudança cultural merece ser celebrada. Mas ainda estamos longe do cenário ideal.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), milhões de brasileiros não têm o nome do pai registrado na certidão de nascimento. Somente entre 2016 e 2025, mais de 1,4 milhão de crianças foram registradas no país sem o reconhecimento paterno. Por trás desses números existem histórias de abandono, ausência e crianças que crescem sem uma das referências mais importantes para sua formação.

Ao mesmo tempo, também precisamos refletir sobre outro desafio. Em alguns momentos, o desejo de construir uma paternidade mais afetiva fez alguns homens acreditarem que ser presente significa abrir mão da autoridade. Não significa.

Os filhos precisam de carinho, acolhimento e diálogo. Mas também precisam de direção. Precisam de um pai que tenha coragem de dizer "não" quando necessário, que estabeleça limites, ensine responsabilidade e mostre, pelo próprio exemplo, valores como honestidade, respeito, compromisso e perseverança.

Ser um pai presente nunca foi apenas brincar no chão da sala ou publicar fotos nas redes sociais. É participar das decisões difíceis, acompanhar a vida escolar, conhecer os amigos dos filhos, perceber mudanças de comportamento, conversar sobre frustrações e assumir o papel de guia quando eles ainda não conseguem enxergar o caminho.

A presença transforma quando vem acompanhada de propósito. Depois de quase uma década escrevendo sobre paternidade, continuo acreditando na mesma ideia que motivou o nascimento do Papai Educa: nenhuma conquista profissional, nenhum bem material e nenhum reconhecimento substituem o privilégio de acompanhar a infância dos nossos filhos.

Eles não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais disponíveis. Pais que amem, protejam, corrijam, inspirem e caminhem ao lado deles. Porque a infância passa rápido. E um pai que escolhe estar presente deixa um legado que permanece muito além do tempo em que seus filhos ainda cabem no colo.

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