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Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do João Guilherme, do João Rafael e da Maria Vitória, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade e jornalismo, especialista em Mídias Digitais.

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Como apoiar filhos com autismo em cada fase da vida?

Existem 2,4 milhões de pessoas com autismo no Brasil; médico explica quais cuidados são necessários e como auxiliar alguém com esse diagnóstico

02 de Abril de 2026
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A maior parte das pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA) no Brasil possui entre 0 e 4 anos de idade, de acordo com o IBGE. O último Censo da instituição detectou que 2,1% das crianças nessa faixa etária têm o transtorno e, por isso, precisam de suporte médico e de seus pais ou responsáveis.

Foto: Divulgação

Nesse cenário, muitos pais acumulam dúvidas sobre como criar filhos autistas e se preocupam com o desenvolvimento da criança. No entanto, com algumas adaptações e cuidados, é possível garantir saúde e bem-estar para um filho com autismo em todas as fases da vida.

“Ter um filho com autismo requer o desenvolvimento de algumas habilidades. O ideal é que os pais façam acompanhamento psicológico, a fim de adquirir estratégias para lidar com a situação, que varia muito em cada caso”, diz Tonny Luccas, profissional da área de neurologia no AmorSaúde.

Apoiando crianças com autismo

Tonny explica que só é possível obter um diagnóstico seguro de autismo a partir dos 18 meses de vida, ou seja, quando o bebê já tem um ano e meio. De acordo com ele, nesse período, alguns sinais de que a criança pode ter o transtorno são dificuldades de interação social e ausência de olhar sustentado, que é a capacidade de manter contato visual por cinco segundos, pelo menos.

“Ao notar esses sinais, não há necessidade imediata de cuidados especiais, mas sim de acompanhar o desenvolvimento da criança. Caso se observe que o desenvolvimento está atrasado em comparação com o de outras crianças de 18 meses, deve-se procurar, principalmente, um neuropediatra e um fonoaudiólogo”, explica o médico.

De acordo com o profissional, os neurologistas têm papel importante no fechamento do diagnóstico correto, investigando se a criança de fato possui TEA. Já os fonoaudiólogos podem ajudar na fase inicial do desenvolvimento infantil, auxiliando no desenvolvimento da fala.

Após o diagnóstico, o neurologista irá informar aos pais qual é o grau de suporte da criança com autismo, o que determina qual nível de apoio será necessário em diferentes fases da vida. Tonny explica cada um dos níveis:

- Grau 1 de suporte: “necessita de menos apoio, o principal o auxílio que os pais terão que prestar será na interação social e na flexibilização, ou seja, ajudar a criança a adaptar os seus pensamentos a novas situações e regras”, diz Tonny;

- Grau 2 de suporte: “neste caso, a criança necessita de um suporte mais elaborado, cuidando da interação, da flexibilização, da comunicação verbal e não verbal e da rigidez comportamental”, resume o médico. Para esse grau, o acompanhamento com fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais pode ser necessário;

- Grau 3 de suporte: “é o mais severo e necessita de suporte intensivo, principalmente na comunicação e atividades diárias. O paciente neste grau, muitas vezes, é dependente por toda a vida”, define ele.

O médico explica que crianças com grau 1 e 2 de autismo podem conseguir ter certa independência na vida social e escolar, desde que tenham apoio dos familiares e de professores. 

“Para que a criança com autismo tenha um bom desempenho escolar, é necessária a identificação precoce do transtorno, seguida do apoio dos pais e de uma escola preparada para lidar com essa condição, fornecendo todas as adaptações previstas em lei”, resume.

Como apoiar adultos com autismo

“O paciente com transtorno do espectro autista pode precisar do auxílio de vários profissionais na vida adulta. Isso vai depender do grau de suporte e do nível de desenvolvimento em que o paciente se encontra”, explica Tonny. De acordo com o médico, os principais profissionais que acompanham o paciente com TEA são:

- Fonoaudiólogo: o profissional pode ajudar pessoas com autismo a desenvolver a fala, melhorando a comunicação e interação social. Para autistas de grau 3, o fonoaudiólogo também tem um papel importante ao auxiliar no desenvolvimento de habilidades de mastigação e deglutição;

- Psicólogo: tem papel fundamental no auxílio à flexibilização mental, permitindo que pessoas autistas desenvolvam mais habilidades sociais e tenham autonomia;

- Terapeuta ocupacional: o profissional dessa área ajuda a pessoa com autismo a ter independência em tarefas diárias. Com esse acompanhamento, um adulto com autismo pode aprender a se vestir, se higienizar e realizar tarefas domésticas ou profissionais;

- Neurologista: um médico dessa área deve acompanhar a pessoa com autismo ao longo de toda a vida, ajudando-a a identificar e tratar questões médicas adicionais, como epilepsia, ansiedade e distúrbios do sono.

“Além disso, a atuação dos pais tem um papel muito importante. Mesmo na vida adulta, eles podem auxiliar filhos autistas seguindo recomendações como a redução de estímulos e a administração correta das medicações necessárias”, explica Tonny, ressaltando o papel dos responsáveis ao longo de toda a vida.

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