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Leandro Nigre

LEANDRO NIGRE

Pai do João Guilherme, do João Rafael e da Maria Vitória, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade e jornalismo, especialista em Mídias Digitais.

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Como transformar a leitura em família na melhor viagem das férias escolares

​Guia mostra como a mediação divertida dos pais pode resgatar o prazer literário e construir memórias inesquecíveis fora da rotina escolar

16 de Julho de 2026
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Um livro fechado é apenas um objeto na estante. Mas, quando alguém o abre e convida uma criança para participar da história, ele se torna um portal para uma viagem transformadora. O incentivo à leitura não precisa surgir como uma imposição ou ser um substituto sem graça das telas. Com a abordagem certa, ele se torna  uma experiência divertida e estimulante, que ajuda a  mente infantil a criar realidades paralelas e personalizar as histórias de um jeito único.

Foto: Divulgação

O benefício também é comprovado na prática pedagógica. Segundo a coordenadora do Ensino Médio do Vila Olímpia Bilingual School, Kamyla Garcia Leão, quem lê aprende a aprender. "A leitura desenvolve disciplina mental, capacidade de estudo independente e organização do pensamento. Para pais preocupados com falta de foco ou dependência excessiva de estímulos externos, o livro é um exercício diário de autonomia", recomenda.

Para a mediadora de leitura e analista de Responsabilidade Social do Instituto Positivo, Nathalia Casarin, as férias são um bom momento para mostrar aos pequenos que, muito mais que uma obrigação acadêmica, a leitura é a porta de entrada para descobertas fantásticas e para construir fortes conexões interpessoais. "Nas férias, os pais têm nas mãos dois ativos preciosos para o desenvolvimento infantil: o tempo livre e a quebra da rotina rígida. Com dedicação e criatividade, a leitura deixa de ser uma tarefa e abre possibilidades para novas realidades, estimulando a curiosidade inata da criança. O segredo está não em cobrar o ato de ler, mas em construir uma experiência lúdica e afetiva em que pais e filhos mergulham juntos nas histórias", afirma. 

Para apoiar as famílias nessa missão de forma prática, a especialista indica caminhos de ação baseados em três grandes grupos de desenvolvimento.

Para os pequenos exploradores (até os 5 anos)

A brincadeira é a linguagem das crianças e, quanto menores, maior a necessidade de transformar tudo em brincadeira. “A ideia, então, é mostrar aos pequenos que as páginas são um grande parque de diversões, de forma a driblar a energia acumulada e a dificuldade de manter o foco por muito tempo”, explica Nathalia.

  • Crie uma trilha sonora para cada história: em vez de apenas ler a história com sua voz normal, imite o barulho do vento, o motor do carro, o rugido do leão e, mais importante, chame a criança para fazer esses efeitos sonoros com você.
  • Estenda a história para a vida real: quando o livro se fecha, a brincadeira continua. Que tal desenhar o monstro que apareceu na história, imitar o jeito que o herói anda ou cantar uma música que combine com o tema?
  • Explore as ilustrações: elas são o mapa do tesouro para quem ainda está descobrindo o mundo visual. Aponte os elementos que estão desenhados nas páginas, conte os personagens, peça para que a criança adivinhe as cores usadas, use esses desenhos como ferramenta para treinar habilidades que ela está aprendendo.

Para os construtores de mundos (pré-leitores e leitores - dos 6 aos 10 anos)

“Com a turminha que está aprendendo a ler e escrever, é importante unir a imaginação ao aprendizado, mostrando que a leitura também é uma maneira de se divertir. Para isso, são necessárias abordagens novas”, pontua Nathalia.

  • Seja uma bússola para os pré-leitores: use livros com letras em caixa alta e aponte para as palavras enquanto lê, conectando o som da sua voz à imagem da letra, da palavra e da ilustração.
  • Para as crianças leitoras: comece lendo e, se a criança quiser, deixe que assuma um parágrafo, sem julgamentos ou pressões. Se ela errar, apenas releia o trecho corretamente de forma natural, sem expor o erro.
  • Aproveite a imaginação: experimente mudar o rumo da história, estimulando a criança a criar finais alternativos. Vocês também podem encenar juntos o capítulo favorito na sala de casa ou criar um jogo inspirado no livro.
  • O hábito é diário: aproveite as férias para montar um "cantinho da leitura". Pode ser uma cabana de lençol ou um monte de almofadas no chão, o importante é que a criança se envolva na criação desse espaço e o veja como um lugar de diversão. O hábito diário de leitura em um cantinho que ela ajudou a criar vai gerar memórias afetivas para a vida toda.

Para os navegantes independentes (pré-adolescentes e adolescentes - dos 11 aos 15)

Depois de pavimentado o caminho, é hora de tornar a leitura um hábito de descoberta de si e do mundo, sem que ela pareça “lição de casa” e de modo que se torne tão interessante quanto as telas e o ritmo acelerado das redes.

  • Descubra o que eles gostam: procure perfis que falam sobre livros nas redes sociais, como os “booktokers”, pessoas que falam sobre livros no TikTok, para saber quais os títulos mais comentados do momento entre os adolescentes, e procure ler esses ao mesmo tempo que eles. Esse pode ser um bom ponto de partida para criar conversas e conexões profundas entre vocês.
  • Mude o formato das leituras: traga histórias em quadrinhos, mangás, contos rápidos ou poesias. Se escolherem um livro mais denso, é possível combinar de ler juntos um capitulo por semana, por exemplo.
  • Conecte a leitura com outras artes: o livro virou filme? Tem uma música que lembra o personagem? Existe um jogo com a mesma temática? Quais lugares reais servem de cenário para o livro? Aproveite para conversar sobre essas curiosidades.
  • Crie uma rotina de conversa sobre as leituras: pode ser semanal, com a leitura feita junto ou individualmente para debaterem depois. Dê voz ativa ao jovem, seja o exemplo e esteja presente. Eles precisam ver você lendo também. 

Guia de bolso para colocar suas leituras em prática

  • Não tem livros em casa? Façam das férias um passeio e aproveitem para visitar a biblioteca pública da cidade ou passem uma tarde garimpando relíquias em um sebo local ou em uma livraria legal.
  • Não force, encante. O objetivo é que as crianças e adolescentes tenham prazer na leitura. Se virar obrigação, perde o encanto.
  • O mais importante desse plano de férias não é bater meta de quantidade de livros ou páginas lidas, mas a qualidade do tempo que vocês passam juntos nesta atividade.

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