compartilhando a
paternidade ativa
Pai do João Guilherme, do João Rafael e da Maria Vitória, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade e jornalismo, especialista em Mídias Digitais.
Em meio ao avanço das redes sociais e à crescente preocupação com os impactos no desenvolvimento de crianças e adolescentes, especialistas defendem que o caminho mais eficaz de proteção passa menos pela proibição e mais pela construção de diálogo e educação digital.
Foto: Freepik
De acordo com Celso Hartmann, diretor executivo dos colégios da Rede Positivo, o tema tem gerado um raro consenso em uma sociedade polarizada. “Responsáveis de diferentes visões, educadores e legisladores compartilham a mesma inquietação: qual é o melhor caminho para proteger nossas crianças?”, afirma.
Nos últimos anos, países como Austrália e Reino Unido passaram a discutir medidas mais restritivas, como a proibição de redes sociais para menores de 16 anos. Ao mesmo tempo, iniciativas como a campanha britânica “You Won’t Know Until You Ask” apostam no incentivo ao diálogo entre pais e filhos sobre o consumo de conteúdo online.
Para Hartmann, as duas abordagens não são excludentes, mas complementares. Ainda assim, ele ressalta que o diálogo sustentado pela corresponsabilidade entre família e escola é o caminho mais consistente a longo prazo. “Nenhuma lei substitui uma conversa honesta entre pais e filhos. Nenhum filtro digital substitui a construção de senso crítico”, destaca.
Embora a proibição possa parecer uma solução simples, o especialista alerta para limitações práticas e efeitos colaterais. Segundo ele, jovens tendem a encontrar formas de contornar restrições, além do risco de migração para ambientes digitais menos regulados. “Soluções simples para problemas complexos costumam trazer consequências importantes”, pontua.
Hartmann também chama atenção para o papel das redes sociais como espaços de pertencimento e acesso à informação, especialmente para jovens que enfrentam isolamento. Nesse contexto, a exclusão total pode ignorar a complexidade dessas plataformas.
Isso não significa, porém, ignorar riscos reais. Conteúdos relacionados a automutilação, distúrbios alimentares, pornografia e cyberbullying exigem, segundo ele, respostas firmes das plataformas e regulação por parte do Estado. “Regular não é o mesmo que interditar indiscriminadamente”, afirma.
O especialista destaca ainda que o problema vai além da tecnologia e envolve aspectos relacionais. “Muitos pais nunca conversaram com seus filhos sobre o que consomem online. Isso mostra que a questão não é apenas tecnológica, mas também familiar”, explica.
Nesse cenário, a educação digital ganha protagonismo. Para Hartmann, ela deve ser entendida como parte da formação moral e emocional, construída tanto no ambiente familiar quanto escolar. “Precisamos ensinar nossos jovens a questionar o que consomem, como aquilo os faz sentir e se a informação é confiável”, diz.
Sobre o uso de celulares nas escolas, Hartmann defende a restrição como medida pedagógica. “A escola é um espaço de foco, convivência presencial e construção intelectual. A restrição não nega a tecnologia, mas ensina que existem contextos adequados para seu uso”, afirma.
Ele ressalta que o desafio varia conforme a idade. Enquanto crianças mais novas demandam limites mais rígidos, adolescentes precisam ser orientados para o uso consciente. “Blindar integralmente pode atrasar a autonomia. Expor sem orientação é irresponsável. O caminho é educar”, conclui.
Para o especialista, a proteção efetiva dos jovens no ambiente digital depende de uma ação conjunta. “Ela virá da soma de diálogo com os pais, escolas que ensinam o uso crítico da tecnologia e plataformas mais responsáveis”, afirma.
Nesse contexto, o debate deixa de ser apenas sobre restringir ou permitir e passa a focar na formação de jovens capazes de navegar no ambiente digital com consciência e maturidade.
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