compartilhando a
paternidade ativa
Pai do João Guilherme, do João Rafael e da Maria Vitória, esposo da Dayane, jornalista, palestrante, articulista sobre paternidade e jornalismo, especialista em Mídias Digitais.
Era uma vez... Bastam essas três palavrinhas para alguma coisa acontecer dentro da nossa cabeça. A curiosidade desperta, a imaginação entra em movimento e, de repente, estamos prontos para visitar lugares onde nunca estivemos, conhecer personagens que não existem e viver aventuras que talvez jamais experimentaríamos na vida real. É impressionante o poder de uma história bem contada.
Foto: Divulgação
O ser humano precisa de histórias porque é por meio delas que aprende a compreender o mundo, os outros e a si mesmo. E, para uma criança, esse poder é ainda mais extraordinário. É um exercício de imaginação, linguagem e pensamento que começa com algo aparentemente tão simples quanto alguém dizendo: "Era uma vez..."
Mais do que simplesmente apresentar livros ou transmitir informações, contar histórias é uma oportunidade única para estimular a curiosidade e criar expectativas de aprendizagem, além de ampliar o vocabulário infantil e exercitar a capacidade de interpretação, estimulando o pensamento crítico e o diálogo.
“As histórias são portas de entrada para conversas que nem sempre surgem de forma espontânea. Quando uma criança ouve uma narrativa, ela pode, por exemplo, se identificar com um personagem, questionar um comportamento e criar suas próprias ideias”, afirma Bárbara Stock, bacharel em ciências sociais e uma das criadoras do projeto Café com Leite na Escola, iniciativa que promove a escuta e o diálogo em sala de aula por meio do uso de recursos em áudio.
Importante instrumento da vida escolar, a contação de histórias sai da sala de aula e chega ao ambiente familiar. Se antes eram os disquinhos coloridos com histórias que prendiam a atenção das crianças, hoje são os podcasts que ocupam esse espaço de integração entre pais e filhos, como o Café com Leite, que traz temas do cotidiano traduzidos para a linguagem infantil.
Com episódios que duram de 8 a 20 minutos, o podcast aborda questões como respeito, emoções, formação de caráter, comunicação e pensamento crítico, criando um ambiente que convida à reflexão e ao diálogo de forma simples. “Não é necessário criar atividades complicadas para participar da aprendizagem dos filhos. Às vezes, ouvir uma história juntos e demonstrar interesse pelo tema daquele episódio ajuda a criar esse vínculo, além de gerar oportunidades para que os adultos compreendam melhor a visão de mundo das crianças”, explica Bárbara.
A escuta compartilhada contribui, ainda, para fortalecer os vínculos familiares, mostrando que o tempo em família pode, também, favorecer o aprendizado por meio das relações e das experiências cotidianas.
Da experiência bem-sucedida com o podcast Café com Leite nasceu o projeto “Café com Leite na Escola”, que utiliza, além do áudio, recursos como olhos vendados para estimular o diálogo e o pensamento crítico em sala de aula, permitindo que os alunos expressem suas opiniões, desenvolvam a imaginação e construam novos conhecimentos longe das telas.
“A escola tem um papel fundamental no aprendizado, mas a curiosidade infantil não deve ficar restrita à sala de aula. Ela pode continuar em casa. Essas oportunidades de troca ajudam as crianças a perceber a importância do aprendizado, e que ele faz parte da vida. A aprendizagem vai além da transmissão de conteúdo. Ouvir, imaginar, perguntar e conversar ajudam as crianças a descobrir o mundo e construir suas próprias formas de compreendê-lo”, finaliza Bárbara.
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